EMPREITA DE PALMA

De origem mediterrânica, a empreita é uma técnica de entrançamento de fibras vegetais usada para a produção de diversos objetos.

A empreita de palma é uma das atividades artesanais mais representativas do Algarve. O seu nome empreita de palma derivou por ser um trabalho pago à empreitada.

A empreita surgiu das necessidades ligadas ao trabalho rural, onde era necessário ter recipientes para embalar e transportar os produtos agrícolas.

A empreita de palma é tradicionalmente um trabalho de mulheres, que geralmente começavam ainda jovens, aproveitando os serões depois da “lida” (trabalho) da casa terminado para entrelaçar longas tranças de palma que depois dariam forma a diversos objetos.

No Algarve cresce espontaneamente no Barrocal algarvio uma espécie de palmeira anã, a partir da qual se retiram as folhas de palma. Longo é o processo de tratamento dado à palma. Primeiramente é colhida, escolhida e colocada a secar ao ar. As palmas crescem próximo das ribeiras e apanham-se entre os meses de Maio e Agosto.

Começa-se por colocar ao sol as folhas de palma durante um mês, convém não apanhar muito sol (apenas o sol da tarde) durante esse período, de quatro em quatro dias vão-se virando as palmas para que todas apanhem sol. Depois são colocadas em casa num local de pouca luz. Seguidamente é escolhida, a palma mais grosseira é usada para vassouras e outros utensílios menos exigentes, enquanto a melhor é tratada. A fase seguinte passa por enxofrar a palma, processo para clarear a palma através de um banho de vapores de enxofre, este é colocado a arder num recinto fechado junto da palma, processo este que deverá levar um dia. Quando desejado o tingimento da palma, deverá ser dado um banho de agua quente onde se deposita a tinta na cor pretendida, complementando com um banho de água salgada para fixar a cor. A palma é então ripada, obtendo-se diferentes larguras que determinam se a empreita será de primeira, segunda ou terceira qualidade.

Com a palma preparada, molha-se para ser mais fácil trabalhar e começa então o processo de fazer a empreita, tecendo uma comprida fita entrançada. Posteriormente, com a ajuda de uma agulha de cobre, a empreita é cozida com a baracinha, (fino cordão feito com palma enrolada), Ontem como hoje, é entrançada nos mais diversos feitios dando assim forma a chapéus, alcofas, esteiras, abanos e outros objetos de uso quotidiano.

A empreita de palma tem se adaptado aos novos tempos pela imaginação dos artesãos e designers mantendo ainda hoje a importância da tradição.

 

 

 

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